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Boa Noite, Mamãe

Lindos pesadelos, meus queridos

Os gêmeos estão perplexos: desde que sua mãe voltou de uma cirurgia com o rosto coberto de ataduras que tornam impossível ver algo além de seus olhos, ela parece… diferente. Ou fica trancada no quarto, ausente da vida dos filhos enquanto eles correm pelos bosques que circundam a casa toda envidraçada, ou, conforme acham Lukas e Elias (interpretados por Lukas e Elias Schwarz), ela se comporta de forma errática, intempestiva, obstinada – não que eles saibam definir assim o que os incomoda. Entre eles mesmos, o que eles sentem, com força cada vez maior de certeza, é que a mulher que está com eles em casa não é sua mãe: uma impostora tomou seu lugar.

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Essa desconhecida tem uma implicância muito particular com Lukas – numa ocasião põe Elias para dormir e tranca Lukas para fora do quarto dos dois, em outra dá jantar para Elias mas não para Lukas. Inseparáveis, os gêmeos primeiro ficam temerosos, depois indignados, e por fim encolerizados, e fazem o que podem para provocar uma reação que desmascare (literalmente) a impostora. Nem é preciso dizer: eles vão chegar a extremos que se tornam duplamente arrepiantes por serem eles ainda tão pequenos, mal e mal entrados na pré-adolescência.

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Veronika Franz e Severin Fiala, a dupla de diretores deste engenhoso exercício em terror vindo da Áustria, joga o tempo todo com opostos: a apresentadora de TV cujo rosto não mais pode ser visto; a beleza silvestre dos exteriores onde os gêmeos brincam e o interior estéril da casa modernista em que vivem; a inocência saudável da infância deles e a malevolência de que são capazes. Em um certo ponto da história, porém, começam a ser inseridas pistas sobre o grande segredo da trama. Quem não pescar a explicação vai ter um bocado de suspense até o final. Já quem matar a charada (e o lado chato de já ter visto taaaanto filme na vida é que, pimba, na primeira dica percebi que conhecia esse mistério de outros carnavais) talvez fique tão preocupado em conferir se não há furos na lógica da coisa que parte da diversão acaba se perdendo. E um aviso: olho muito vivo no final. O que, aliás, é muito apropriado: o título original, muito melhor do que a versão para o mercado estrangeiro, é Ich seh, Ich seh – ou “Eu vejo, eu vejo”.

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UMA TREMENDA DICA: aos persistentes, recomendo tentar encontrar o filme espanhol ¿Quién Puede Matar a un Niño?, do diretor Chicho Ibañez Serrador, que foi lançado em 1976 e é possivelmente o melhor terror que eu já vi envolvendo crianças. Mas ponha terror nisso: um casal vai passar férias numa ilha e descobre que ela está cheia de crianças – e, até onde eles podem perceber, só de crianças. É medo encharcado de sol. Aqui saiu como Os Meninos; os títulos internacionais incluem Island of Death, Island of the Damned, Would You Kill a Child?, Who Can Kill a Child? e The Hex Massacre. Boa sorte no garimpo.

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Os Meninos (¿Quién Puede Matar a un Niño?)

Trailer


BOA NOITE, MAMÃE
(Ich seh, Ich seh)
Áustria, 2014
Direção: Veronika Franz e Severin Fiala
Com Elias Schwarz, Lukas Schwarz, Susanne Wuest, Hans Escher, Elfriede Schatz, Karl Purker
Distribuição: PlayArte

5 comentários em “Boa Noite, Mamãe”

  1. Olá, Isabela. Parece que os fãs de terror não tem o que reclamar nessa época. Esse filme e “A Bruxa” me parecem ser dois filmes bem interessantes, o segundo tudo indica trouxe novo fôlego ao gênero que anda bastante desgastado. Tenho lido e visto muitas resenhas sobre “Boa noite, mamãe” . Algumas bastante favoráveis ao filme, outras nem tanto dizendo que ele recorrer a clichês, principalmente na parte final, Você concorda?
    Concordo com que você disse sobre “Os meninos” que saiu no Brasil ano passado pela distribuidora Versátil (que tem lançado clássicos do gênero) na coleção “Obras-primas do terror”. É um filme bastante assustador, eu diria que é mais de horror que terror-, e possibilita várias leituras, uma delas relacionadas a Espanha, pais de origem que durante muito tempo foi massacrada por uma violenta ditadura que roubou a inocência de muitas crianças e desumanizou-as. É interessante que além de sustos e arrepios, o horror tem um forte aspecto metafórico que nos faz refletir sobre várias questões importantes,tais como violência doméstica, abuso sexual, opressão sobre mulheres e crianças. É uma pena que muita gente não se atente com relação a isso. Um abraço.

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  2. Apesar de poder ser enquadrado no gênero terror eu colocaria mais em suspense… mas esse detalhe à parte, gostei muito de vários aspectos do longa: a sugestão do medo nas cenas iniciais (e não um sustinho banal com jumpscare), o modo como usa um jogo para apresentar a mãe e principalmente a fotografia: o jogo de luz e sombra e os fade in e out criaram um ar bem interessante aqui.
    O filme tem uma certa barriga (a cena com a cruz vermelha me incomodou muito – aliás, quando sai do trio principal a obra perde força). E no último arco perde-se um pouco da sutileza tão bem colocada no início.

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