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Peter Pan

Não sei se sou só eu, mas…

Quando o diretor Joe Wright acerta, ele acerta que é uma beleza – como em Orgulho & Preconceito e Desejo e Reparação. Quando ele erra… Aí o resultado pode ser intragável, como aquele Anna Karenina com a Keira Knightley (coitada, a culpa não é dela). Ou pode ser incompreensível, como Peter Pan.

Nenhum problema na ideia de adaptar o original do escritor J.M. Barrie para a II Guerra, durante a qual Peter (o excelente Levi Miller) passa fome em um orfanato; é uma reciclagem de Oliver Twist e outras tantas dezenas de livros, séries e filmes ingleses sobre crianças enjeitadas, mas é benfeitinho. Mas quando Peter chega à Terra do Nunca e ela parece uma locação abandonada de Mad Max, e os Meninos Perdidos saúdam o pirata Barba Negra (Hugh Jackman) cantando Smells Like Teen Spirit em coro – aí fiquei com cara de ponto de interrogação. E com ela continuei até o final.

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Dou graças pelo Levi Miller e pelo Garrett Hedlund, que faz Gancho, porque eles salvaram o filme para mim, mas ainda não entendi por que Gancho está preso junto com as crianças, garimpando pozinho mágico para o Barba Negra. Deu para sacar que a Rooney Mara faz uma princesa nativa da Terra do Nunca – mas não sei princesa do quê, nem por que ela enfeita a cabeça com uma cesta de bordado. A luta de kung fu, essa não consigo explicar mesmo.

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Não é que qualquer uma dessas coisas me incomode por si só. (Pensando bem, a cara de espetáculo de saltimbancos do filme me incomoda, sim, por princípio: minhas respeitosas desculpas aos praticantes das artes circenses, mas nunca gostei de circo, sempre tive medo de palhaço e Cirque du Soleil me dá urticária). O que perturba, em Peter Pan, é a arbitrariedade e a aleatoriedade com que todos esses elementos são conjugados. Acho Anna Karenina um tédio, mas entendo o propósito por trás da artificialidade da encenação: a vida da aristocracia russa era um grande teatro, no qual todos interpretavam uns para os outros papeis escritos muitos antes que eles nascessem. Em Peter Pan talvez haja, também, um propósito. Mas eu, pelo menos, não o adivinhei.


Trailer


PETER PAN
(Pan)
Inglaterra/Estados Unidos/Austrália, 2015
Direção: Joe Wright
Com Levi Miller, Garrett Hedlund, Hugh Jackman, Rooney Mara, Adeel Akhtar, Kathy Burke, Amanda Seyfried, Lewis MacDougall
Distribuição: Warner

9 comentários em “Peter Pan”

  1. Olá Isabela, sou estudante de Cinema e acompanho seu trabalho há uns quatro anos com grande prazer. Sou fã do tom autêntico e bem humorado dos seus textos e principalmente da sua não-hesitação em fugir da ditadura do senso comum. E já que o assunto é revisionismo de contos de fadas, gostaria muito de saber sua opinião da adaptação de “Cinderela” dirigida por Kenneth Branagh lançada pela Disney no inicio desse ano, pois nessa leva de refilmagens inconstantes essa foi, de longe, a que mais me agradou e adoraria saber suas impressões. Fico felicíssimo por seu retorno e por esse novo espaço!

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    1. Obrigada, Alexandre! Espero ter a chance de comentar um filme seu um dia desses! E gosto bastante de Cinderela: acho importante que às vezes se conte a versão tradicional dos contos de fadas e não se façam só revisões pós-modernas deles.
      Dito isto, estou curiosa para ver O Caçador e a Rainha do Gelo…

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  2. Isabela, tenho 16 anos e sou um cinéfilo devotadíssimo e aspirante a critico de cinema. Já faz alguns anos que acompanho suas críticas lá na Veja e as usava como inspiração para aprender a avaliar filmes. Enfim, virei fã incondicional do seu trabalho. Até quando discordo, levo sua opinião em conta (além de me divertir com seus comentários sarcásticos). Queria saber quando (ou “se”) você vai começar a postar videos aqui. Valeu pelo retorno, ja estava sentido falta dos seus comentários semanais.

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      1. Que ótimo então, estou no aguardo! Sucesso!!! 😀👍🏾
        (Ah, queria saber se você já assistiu e se gostou do terror australiano The Babadook, da Jennifer Kent)

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  3. Esse filme foi dose pra mim,os efeitos,a direção de arte pareciam que estavam jogados na tela,uma bagunça sem tamanho.O visual desse filme me deixou com uma enxaqueca…

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  4. Todo mundo falando mal do filme. Parece que custou algo em torno de 150 milhões de dólares e foi montado prevendo continuação. Ao que tudo indica, vai parar por aí mesmo. Eu gostei da versão anterior, dirigida pelo P. J. Hoogan.

    Curtido por 2 pessoas

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