Diretor de “Han Solo”: “Todos exaustos, mas felizes”

O veterano Ron Howard conta como foi assumir a nova “História Star Wars” já na metade da filmagem, após a saída dos diretores Phil Lord e Christopher Miller


Conhecidíssimo como ator mirim na década de 60 (ele fazia o garoto Opie no Andy Griffith Show), depois intérprete eventual em praticamente todas as séries de TV que foram ao ar na TV americana na época – de Lassie até Gunsmoke, Bonanza, Dr. Kildare, Rota 66, O Fugitivo, Terra de Gigantes e M*A*S*H* –, Ron Howard “aconteceu” como diretor, e em grande estilo, com Splash – Uma Sereia em Minha Vida, uma bobagem deliciosa de 1984 com Tom Hanks e Daryl Hannah. Daí, partiu para o abraço: do clássico sentimental Cocoon, que fez logo em seguida, até O Código DaVinci, Howard foi se firmando como um dos diretores mais fluentes e versáteis de Hollywood, capaz de tocar qualquer tipo de filme, com qualquer orçamento e qualquer elenco – e por isso mesmo, por ele não ter um estilo nem um gênero definidos, garanto que você já viu pelo menos um punhados dos mais de trinta filmes que ele fez sem saber que eram dele (quem sabe Willow, ou Cortina de Fogo, Um Sonho Distante, O Jornal, Apollo 13, O Preço de um Resgate, Uma Mente Brilhante, Frost/Nixon, Rush, No Coração do Mar…). Agora, aos 64 anos, ele pegou pela frente uma pedreira: assumiu a direção de Han Solo com a filmagem pela metade e no meio de uma confusão, a demissão dos diretores Phil Lord e Christopher Miller. Consta que a dupla de Uma Aventura Lego achou que faria “um filme do Phil e do Chris” – mas faltou combinar com Kathleen Kennedy, a manda-chuva da Lucasfilm. Howard conta o que achou da experiência:


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Comandar uma produção tão grande e com um personagem tão adorado já seria uma tarefa pesada, mas o senhor enfrentou também a pressão adicional de pegá-la já em andamento.

É uma pressão tremenda, de fato. Embora eu esteja habituado a esse tipo de responsabilidade, não há nada no cinema que se equipare a Star Wars. Por outro lado, a excitação também é imensa: os fãs mal podem esperar para ver o filme, a história desenvolve um enredo ainda inédito, as oportunidades criativas são imensas. Han Solo traz um acréscimo real ao cânone de Star Wars. Trabalhar em algo assim é, acima de tudo, uma diversão: as criaturas exóticas, os sets maravilhosos, os figurinos cheios de imaginação – o elenco e a equipe podem até terminar cada dia exaustos, mas nunca infelizes.

Imagino que um elenco novo entrando no universo de Star Wars também deva estar no auge da antecipação.

Tenho um respeito imenso por Alden Ehrenreich, que faz o jovem Han Solo, e pelas contribuições que ele deu ao personagem. Alden não apenas estudou e assimilou aquilo que Harrison Ford fez com o papel na trilogia original, mas ele também se entregou à missão de explorar as origens de Solo. Se há alguém em que toda a pressão está concentrada neste momento, é Alden. E, no entanto, ele se mantém calmo, sereno e profissional. Alden não perde o senso de humor. Faz nove ou dez anos que venho ouvindo falar dele. Minha filha, Bryce Dallas Howard (de Jurassic World), participou muito tempo atrás de uma workshop para jovens atores e voltou falando desse adolescente fenomenal que havia conhecido lá. Francis Ford Coppola, Warren Beatty e os irmãos Coen, entre outros realizadores talentosos e experientes, já reconheceram o carisma e a inteligência de Alden e o recrutaram para filmes seus. Acho que, em Han Solo, mais uma vez o trabalho dele falará por si mesmo.

Ao ler o roteiro, qual foi sua impressão sobre a vida pregressa de Han Solo?

Este já é o quarto Star Wars que Lawrence Kasdan roteiriza, e ele vem querendo fazer este filme sobre Solo há mais de seis anos, desde antes da aquisição da Lucasfilm pela Disney. E, claro, ele “conhece” o personagem há mais de quarenta anos. De forma que não só a história pregressa de Solo é lógica e faz todo sentido, como Kasdan conseguiu torná-la, ao mesmo tempo, surpreendente. Foi essa, aliás, a razão principal pela qual aceitei assumir a direção do filme.

O senhor teve reservas a esse respeito? É delicado entrar a meio caminho de uma produção para terminar o que outros diretores começaram.

É uma situação incomum, para dizer o mínimo. E desafiadora, também. Mas Phil Lord e Christopher Miller fizeram muitas coisas interessantes antes de se desligar da produção, coisas que poderiam e deveriam ser preservadas. E ganhei muita liberdade também para arriscar, experimentar e explorar outros rumos para o filme.

O senhor trabalhou como ator sob a direção de George Lucas 45 anos atrás, em American Graffitti, quando ele era um iniciante e contou ao senhor que estava bolando uma saga espacial. Que tal entrar agora, tanto tempo depois, nesse universo já totalmente formado?

Parece coisa de romance de Charles Dickens: é inimaginável que quase cinco décadas depois nossos caminhos fossem se cruzar nessa galáxia distante, de uma maneira tão diversa, após uma jornada tão extensa. Aprendi muito com George, primeiro como ator e depois como diretor, quando, em 1988, ele produziu Willow – Na Terra da Magia para mim. Ele é uma parte crucial da minha vida cinematográfica, e foi muito especial ser surpreendido pela presença dele, no set, no meu primeiro dia de trabalho em Han Solo. George anda muito afastado do cinema, e dispor de uma meia dúzia de horas na companhia dele durante uma filmagem foi o melhor aval que eu poderia desejar.

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