Rogue One: Uma História Star Wars

Se fosse um piloto de seriado, seria ótimo. Como filme, deixa muito a desejar

É impressão minha, ou Darth Vader encolheu bem uns 20 centímetros desde a última vez em que o vi? Não sei; pode ser só efeito do apequenamento geral do universo Star Wars promovido por Rogue One – um filme com jeito de piloto de seriado que é uma experiência decepcionante em si mesmo, e mais ainda na comparação com O Despertar da Força. Em tempo: os fãs de verdade que estavam presentes à sessão adoraram, porque a perspectiva deles, naturalmente, é outra. Eu não sou fã. Acho bacana, assisto com prazer (excluam-se dessa afirmação os Episódios I, II e III, argh) e saí muito feliz da exibição de O Despertar da Força; achei que misturava nostalgia e novidade na medida certa, e também que era cinema de verdade, com senso de escala e de espetáculo. Mas sou do tipo que fica com dor de cabeça tentando acompanhar os nomes dos planetas e dos personagens, e não entendo nada de universo expandido. Não me sinto na obrigação de gostar nem de entender os pormenores da timeline. O filme é legal? Estou nessa. Não se sustenta sozinho? Não conte comigo para dar uma força – sem trocadilho.

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Lendo sobre Rogue One nos últimos meses, achei que a estratégia fazia sentido: os episódios seguintes a O Despertar da Força continuarão sendo o carro-chefe da marca – o Star Wars canônico, digamos assim. Mas, nos anos de intervalo entre cada um deles, ramificações da história principal serão contadas em novos filmes (e quadrinhos, animações etc. ect., como já vinha sendo feito). A Disney, nova dona da Lucasfilm, tem obtido êxito narrativo e comercial sem precedentes no tratamento muito semelhante (em teoria) do universo Marvel. Com tanta cancha, pensei eu, inovações e sacadas inteligentes devem surgir também desses desdobramentos de Star Wars. Se Rogue One puder ser tomado como parâmetro, porém, o que vem pela frente não é enriquecimento – é barateamento. O departamento de marketing e o diretor, Gareth Edwards, conseguiram vender por aí a ideia de que Rogue One é um filme de guerra clássico, na linha de Os Canhões de Navarone. Pois o calibre está mais para o de espingarda de chumbinho.

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Problemas básicos: a apresentação dos personagens demooooora que é uma coisa. O que, consequentemente, faz com que a história seja empurrada ladeira acima durante toda a primeira metade. Se a história fosse assim essa coisa toda (não é), ou se os personagens fossem fascinantes, esses problemas se resolveriam sozinhos. Mas, na maioria, nem personagens nem os respectivos atores me fascinaram. Longe disso. Adorei Donnie Yen e Wen Jiang como os guardiões do templo Jedi. Alan Tudyk, que é ótimo em pessoa e em captura de desempenho, é uma delícia como o andróide imperial reprogramado K-2SO. Mads Mikkelsen é a competência de sempre como o pai da protagonista Jyn Erso e projetista da Estrela da Morte, embora fique muito pouco em cena. Forest Whitaker tem uma interpretação, hmmm, interessante como o líder extremista Saw Gerrera. Maneirista, mas interessante. E Peter Cushing dá um banho em todo mundo como Grand Moff Tarkin, embora esteja morto há 22 anos (isso é que é ser bom).

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Todos esses, porém, são coadjuvantes. O elenco principal, feito de atores que admiro, desta vez não correspondeu à expectativa: Felicity Jones, Diego Luna, Riz Ahmed e Ben Mendelsohn estão insossos como pão de forma. Felicity faz cara de contrariada, Diego faz cara de drama, Riz faz cara de atônito, Ben Mendelsohn faz cara de perverso e agita muito a capa branca do seu uniforme. Me fez lembrar de um comentário de Anthony Lane, o crítico da New Yorker, sobre O Fantasma da Ópera, lá nos idos de 2004 – Lane dizia que Gerard Butler ficava sacudindo o manto do Fantasma como alguém que estivesse tentando se livrar de um cheiro ruim. Quando uma referência como essa vem à mente, é sinal que o ator não conseguiu impressionar mesmo.

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O crucial, porém, é o trabalho de Gareth Edwards. Esse inglês de 41 anos tinha apenas dois longas para cinema no currículo: Monstros, de 2010, que eu recomendo vivamente (já dei no Garimpo da Semana, como você pode ler aqui), e o Godzilla de 2014, que eu não recomendo para ninguém. Minha sensação é que Edwards é um sujeito original e talentoso, mas educado demais ou confiante de menos; quando se vai de uma ficção científica de micro-orçamento como Monstros para um filme de estúdio, ou o sujeito bate o pé e finca os calcanhares, ou tiram dele toda a personalidade. Rogue One, da mesma maneira que Godzilla, é um filme que não parece ser de ninguém em particular. O grande Tony Gilroy, da trilogia Bourne e de Conduta de Risco, é um dos que assinam o roteiro – mas duvido que tenha sido ele a pôr lá uma fala chocha como “as rebeliões nascem da esperança”, e ainda mandado repeti-la várias vezes. Os planetas são vistosos, cheios de água ou de areia, e batalhas complicadas acontecem, mas em nenhum momento você sente aquela insignificância humana diante do espaço, ou aquela precariedade dos insurgentes frente ao poderio imperial, que Irvin Kershner e J.J. Abrams evocaram com tanta eficácia respectivamente em O Império Contra-Ataca e em O Despertar da Força.

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O que falta a Rogue One não é sabre de luz, nem mitologia Jedi – continuo achando instigante a ideia de investigar facetas da história de Star Wars que não tenham sido ainda reveladas. Faltam a Rogue One, isso sim, espanto, assombro, surpresa, emoção – ou, resumidamente, uma visão maior, com uma envergadura que vá além do que o filme possa representar para a narrativa Star Wars (e para o caixa da Lucasfilm). Falta, enfim, aquilo de que Star Wars é capaz nos seus melhores momentos – fazer você sentir que está sendo transportado, de turbilhão, para outro tempo e outra galáxia.


Trailer


ROGUE ONE: UMA HISTÓRIA STAR WARS
(Rogue One: A Star Wars Story)
Estados Unidos, 2016
Direção: Gareth Edwards
Com Felicity Jones, Diego Luna, Ben Mendelsohn, Riz Ahmed, Alan Tudyk, Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Donnie Yen, Wen Jiang, Jimmy Smits, Alistair Petrie, Genevieve O’Reilly, a voz de James Earl Jones e uma excelente reconstituição digital de Peter Cushing
Distribuição: Disney

13 comentários em “Rogue One: Uma História Star Wars”

  1. Gente, estou revendo todos os episódios do desenho “Star Wars – The Clone Wars” na Netflix e estou adorando! Muito melhor que qualquer um dos filmes da Saga!

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    1. Só os episódios das 3a, 4a e 5a temporadas são bons. As duas primeiras são beeeem arrastadas, apesar de alguns bons momentos, bem como a sexta temporada, com muitos altos e baixos, mas com um arco final excelente, que me faz pensar como teria sido a continuação. Foi cancelada para que desse lugar a Star Wars Rebels, que também está na Netflix, e é igualmente épico.

      Mas todos os filmes são bons, inclusive os dá nova trilogia, ainda que não tão bons quanto os dá trilogia clássica.

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  2. Finalmente alguém com propriedade que possa compartilhar minha frustração em relação a este filme, e eu sou fã!
    Sai do cinema com a sensação de ter assistido mais uma obra da sequência 1,2 e 3, argh…. Tudo muito subaproveitado, Mads Mikkelsen, Forrest Whitaker, Ben Mendelsohn e até mesmo Darth Vader que faz uma ponta no melhor estilo da animação Rebels.
    Os personagens revividos em CGI- aquilo foi muito ruim (!!), era preferível colocar um ator e atriz que remetessem a estes personagens ou não colocassem ninguém, deixassem apenas as sombras, ou uma vassoura, sim, uma vassoura seria menos impactante e ridículo.
    A tal da guerra que todos comparam com filmes de guerra como o Resgate do Soldado Ryan, meu Deus!! isso faz o conceito do filme cair mais ainda, essa tal guerra é bem feita mas não me convenceu.
    Eu fui esperando sair com a mesma satisfação que sai do episódio VII, mas sai com a sensação de ter assistido um filme de Michael Bay com o elenco de novela mexicana.
    Rogue One é decepcionante do começo ao fim. Valeu Isabela Boscov por descobrir que eu não estava morto por dentro.

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  3. “E Peter Cushing dá um banho em todo mundo …. apesar de estar morto há 22 anos (isso é que é ser bom).”
    Cara, eu adoro você… 😄
    Rogue One é um filme para fãs que, como eu, vibram com todas as referências aos filmes principalmente da primeira trilogia. Confesso que me emocionei em vários momentos de O Despertar da Força. Embaraçoso, mas verdadeiro.
    Não é, realmente, um grande filme, mas diverte.

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  4. Apesar de fã da saga, não gostei do Despertar da Força, sai do cinema com a sensação de ter dado o dizimo aos estúdios Disney, mas como sou fã, darei a minha contribuição novamente, quantos os filmes essa é a minha opinião .
    Não gostei dos episódio I e VI .
    Gostei muito dos II e IV .
    III e V estão entre as obras de arte da sétima arte .
    ( essa opinião não deve ser seguida, pois é o que me agradou )

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  5. Minha opinião é que no mundo de Star Wars sem os ou o Cavaleiro Jedi fica muito estranho.
    Mas não nego sou fã da série… fã que curte assistir os filmes que sabe o que é um sabre de luz, que sabe quem é Dart Vader, Luke Skywalker e etc…mas, só isso…no fim gosto mesmo de um bom filme…

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