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Nerve – Um Jogo Sem Regras

Uma brincadeira virtual para alguns, e real para outros

Que Pokémon Go que nada: imagine um jogo em streaming em que qualquer um pode se inscrever como Observador e, em conjunto com os outros observadores, propor desafios aos Jogadores. Qualquer desafio: o Jogador pode ter de comer alguma coisa nojenta, levantar o saiote de cheerleader para mostrar que não está usando calcinha, dar uma resposta atravessada ao professor, ou submeter os passantes, na rua, aos efeitos ruins da sua refeição anterior (a idiotice dos desafios, aliás, é o que os torna críveis; eu não esperaria nada diferente de uma brincadeira como essa). O Jogador tem de filmar a cena e transmiti-la do seu próprio celular; não vale o de mais ninguém. Quem cumpre o desafio no tempo prescrito ganha dinheiro na conta bancária; quanto mais provocador o desafio e mais carismático o Jogador, mais seguidores ele vai ganhando – e maior a sua remuneração por cada aposta aceita.

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Nerve, o jogo que dá nome ao filme dos diretores Ariel Schulman e Henry Joost (a mesma dupla de Atividade Paranormal 3 e 4), está na sua edição nova-iorquina e é mania na cidade. Sydney (Emily Meade), a garota mais mal-comportada da escola, está entre os dez Jogadores mais seguidos, e não para de atormentar sua melhor amiga, a certinha e responsável Vee (Emma Roberts), dizendo que ela nunca, jamais, teria coragem de jogar Nerve. A certa altura, Vee se enche: entra no jogo, beija um desconhecido numa lanchonete e vê 100 dólares caírem na sua conta. O que falta para fisgá-la de vez? O desconhecido, Ian (Dave Franco), ser um charme e cantar uma música para ela, em público, logo depois do beijo. Ian, claro, também é um Jogador, e imediatamente os Observadores sinalizam que querem ver o casal jogando junto. Os desafios, porém, vão ficando cada vez mais bizarros, ilegais e perigosos. Vee percebe que não há como cair fora: virou prisioneira do jogo.

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Nerve é um desses filmes que querem ao mesmo tempo fazer a omelete e ficar com os ovos – e, em certa medida, consegue. Schulman e Joost são bons de build-up, aquela escalada de tensão, e deslizam com habilidade do cenário inicial (adolescentes fazem coisas estúpidas, ainda mais quando instigados por outros adolescentes) para um clima mais pesado (quando protegidas pelo anonimato e livres de consequências, as pessoas são capazes de fazer coisas terrivelmente maldosas e mesquinhas com outras pessoas). Ou seja: o filme se disfarça em crítica do bullying virtual, mas tem uma atmosfera tão pop e excitante que é praticamente um convite a que se jogue um jogo como esse.

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Outro aspecto desse verso-e-reverso: lógica e verossimilhança não são pontos fortes do roteiro (adaptado do romance homônimo que está sendo lançado aqui pela Planeta), mas a dupla de diretores tem um feeling inegável para o tema e para a geração que se identifica com ele, da trilha sonora ao figurino e a escolha do elenco. Emma Roberts tem mesmo cara de boa menina, e Dave Franco é um especialista em cafajestes de bom coração. Para mim, porém, os destaques do elenco são Kimiko Glen, de Orange Is the New Black, e Miles Heizer, de Parenthood. Ele, em especial, é excelente, e merecia mais do que o papel do melhor amigo que nunca vai virar namorado.


Trailer


NERVE – UM JOGO SEM REGRAS
(Nerve)
Estados Unidos, 2016
Direção: Ariel Schulman e Henry Joost
Com Emma Roberts, Dave Franco, Emily Meade, Miles Heizer, Kimiko Glen, Machine Gun Kelly, Juliette Lewis, Marc John Jefferies
Distribuição: Paris Filmes

6 comentários em “Nerve – Um Jogo Sem Regras”

  1. Que bomba …. Só faltou o cronômetro da minha vontade de gritar de raiva parar no 007. Filme ruim final idiota e politicamente corretíssimo. Roteiro ruim atores de quinta direção péssima nem os efeitos escapam . Ruim ruim demais. Até os aborrecentes viciados em jogos on line saíram xingando da sessão .

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  2. Fui ao cinema assistir esse filme, mas em nada me impressionei. A ideia me pareceu muito interessante, visto que conseguiu maximizar essa febre contemporânea de obter mais “likes” e “views” a todo o custo (que, assim como no filme, faz as pessoas colocarem em risco as suas vidas para capturar a foto perfeita, por exemplo), concentrando-a em um jogo que trabalha numa linha que a leva ao extremo. Porém, a execução deixou a desejar a meu ver, e, pra mim, nem a química do “casal” protagonista conseguiu fazer o filme valer a pena. Achei de certa forma entediante e consigo compará-lo ao “A 5ª Onda”, filme que fui assistir arrastado. Não sei se o problema está no trailer, que entrega demais, mas era como se eu pudesse prever tudo que estava por vir. Não houve “aquela sensação” que gosto de sentir (e, confesso, sinto pouco) quando vou ao cinema, o mais próximo que consegui chegar disso foi com as vertigens nas cenas que envolviam altura, que conseguiram até me fazer sucumbir junto. Afora isso, me restou torcer pra que o desfecho chegasse logo, e tampouco isso conseguiu impressionar.

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    1. Toda a Indústria do Entretenimento é. Há décadas. A diferença é que cada geração é mais burra que a anterior. Viu no que dá crescer idolatrando Madonna e Bono Vox, Xuxa e Chacrinha, Faustão e Silvio Santos, Paulo Coelho e Adriane Galisteu, Lula e Carla Perez, Tarantino e George Lucas? A continuidade é óbvia: Hoje, eles idolatram Kei$ha e Lady Gaga, os Clinton e Obama, Kate Perry e Lily Allen, Miley Cyrus e Beyoncé, Michael Bay e J.J. Abrahams. O que esperavam, uma geração de gênios?

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    1. Houve uma época em que “Quanto Mais Idiota Melhor” era apenas o título de uma comédia.

      Mas depois de ler a descrição do, hã, enredo deste filme, vejo que isso se aplica ao nível mental e moral de uma geração inteira de descerebrados que dominam o mercado consumidor do século 21.

      Quanto mais eu conheço os hábitos e atitudes dos jovens de hoje, mais eu sinto vontade de ir ao banheiro. Pra fazer o número 3.

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