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Hoje é um bom dia para ver… Dark Skies

Tem que dar medo ou criar suspense? Quem faz barato faz melhor

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Na minha experiência, quanto mais modesto o orçamento do suspense/terror, maiores as chances de ele funcionar bem: quem não tem dinheiro para gastar com efeitos (ou defeitos) especiais tem de se concentrar no roteiro e na direção. Aliás, é o que se deveria fazer sempre – mas a prova de que uma coisa rouba atenção da outra está, por exemplo, na carreira de Scott Stewart, o diretor do muito interessante Dark Skies, que entrou há pouco no catálogo do Netflix (quando ele foi lançado aqui nos cinemas, passou com o nome de Os Escolhidos). O negócio de Stewart é terror ou ficção de máximo custo-benefício: nem tão caro que assuste financiadores, nem tão barato que vá direto para DVD. Mas, nos seus dois filmes anteriores, Padre e Legião (este também no Netflix), ambos com Paul Bettany, ele dava mais peso ao aspecto sobrenatural que ao suspense, e, limitado pela produção ordinária, acabava ficando pelo meio do caminho. Em Dark Skies, porém ele acerta o ponto: os efeitos são poucos e em geral sutis, o elenco é de qualidade, a história é repleta de inquietações e perturbações e o saldo é perfeitamente satisfatório.

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Keri Russell e Josh Hamilton interpretam Lacy e Daniel, um casal que já têm angústias concretas de sobra: o marido perdeu o emprego, e o salário da mulher não basta para sustentar a casa e pagar a hipoteca, que está atrasada. O filho mais velho, Jesse (Dakota Goyo), está entrando na adolescência com estrondo, e o caçula, Sam (Kadan Rockett), parece estar sofrendo de sonambulismo ou de terrores noturnos. Não é de admirar, portanto, que Lacy e Daniel demorem a levar suas próprias suspeitas a sério quando seu dia a dia passa a ser desencaminhado por acontecimentos que eles não sabem explicar.

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Pode ser coincidência, apenas, um bando de pássaros chocar-se contra sua casa em certa ocasião – mas, seja como for, é uma sensação ruim de augúrio a de ter de recolher tantos animais mortos do jardim. Talvez o filho pequeno esteja manifestando um transtorno psicológico, algo mais grave que os medos habituais da infância – se não, como justificar as coisas bizarras que ele faz durante o sono? Também não é reconfortante ouvir de um sujeito obcecado por extraterrestres (J.K. Simmons) que é esse o problema da família, uma interferência alienígena – e começar a achar que ele pode ter razão. Scott Stewart deixa o espectador na dúvida: são as pressões domésticas que estão transtornando a família e tingindo seu julgamento, ou de fato há algo alheio à normalidade se apresentando? E, assim,  reforçando o elemento de suspense, ele colhe seus resultados mais eficazes até aqui.

Isabela Boscov
Adaptado de um texto publicado originalmente na revista VEJA no dia 14/08/2013
Republicado sob autorização de Abril Comunicações S.A
© Abril Comunicações S.A., 2013

DARK SKIES
(Os Escolhidos)
Estados Unidos, 2013
Direção: Scott Stewart
Com Keri Russell, Josh Hamilton, J.K. Simmons, Kadan Rockett, Dakota Goyo

Uma consideração sobre “Hoje é um bom dia para ver… Dark Skies”

  1. Oi, Isabela. Você tem razão sobre o o gênero do horror/terror: quando menos dinheiro, mais é exigido que o roteirista tenha criatividade e, assim pode criar um roteiro mais consistente e assustador, com é o caso do de Dark Skies (Os Esquecidos). Lembro que quando assisti ao filme pela primeira vez, fiquei arrepiado (coisa rara, na época atual), com o final. Que final! Assustador como poucos filmes que vi, ousado e sem a preocupação de agradar o público ( o que para mim é o grande problema do cinema atual no gênero. Dark Skies consegue ser um filme com toques de ficção científica e ao mesmo tempo assusta o espectador na medida certa, sem apelar para excessos. Muito bem realizado, com bom elenco (destaque para Kerri Russel e J. K. Simmons, que logo depois arrebentou em Whiplash) merece ser visto.

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