O garimpo da semana: A Última Fortaleza

Um filme de prisão bacana, para lembrar que Robert Redford é um ótimo ator

Lá por março ou abril deve estrear no Brasil o trabalho mais recente de Robert Redford como ator – Truth, no qual ele faz o papel do âncora Dan Rather durante a investigação que o programa 60 Minutes conduziu sobre a folha do serviço militar de George W. Bush, a qual arruinou a carreira de Rather e de sua produtora, interpretada por Cate Blanchett. Eu vou ver na primeiríssima oportunidade: sou uma grande apreciadora de Redford como ator, e me incomoda um pouquinho que ele seja menos valorizado do que mereceria ser. De certa forma, isso se deve aos muitos outros superlativos que ele acumulou durante a carreira: foi o maior astro americano dos anos 70, um dos ativistas políticos e ambientais mais sérios e racionais das últimas gerações, ganhou o Oscar já na sua estreia na direção (Gente como a Gente, de 1980), criou o grande berçário da produção independente que é o Instituto Sundance e ainda colocou um naco considerável do estado de Utah sob proteção pétrea, garantindo que ele continue absolutamente intocado pelas próximas gerações. Redford foi, também, lindo de morrer (o que atrapalhou um bocado seu reconhecimento como ator). Mas eu mesma prefiro ele hoje em dia, com todas as rugas que ele conquistou honrosamente em 79 anos (ele faz 80 neste ano, em 18 de agosto).

divulgação

Em A Última Fortaleza (que está disponível no Netflix), Redford faz Eugene Irving, general três estrelas do Exército americano que, por motivo ignorado, é enviado para um presídio militar – e, já de saída, entra na mira do diretor do presídio, o coronel Winter, que James Gandolfini interpreta com aquela sua minúcia para os homens inseguros sobre a sua própria autoridade. É precisamente esse o problema de Winter com o general: Irving é um herói de guerra legítimo, um comandante de alta patente e irradia aquela serenidade e autoridade dos líderes natos. É, enfim, tudo aquilo que Winter nunca foi, e que nunca será. E, à medida que a ascendência de Irving sobre os presos aumenta, o choque de personalidades se encaminha para o confronto aberto.

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Só digo que não é por acaso que, no original o filme se chama The Castle, ou “O Castelo”. O roteiro de David Scarpa (o qual levou uns tapas muito bem dados de Graham Yost, que já fizera a excelente minissérie Da Terra à Lua e depois seria produtor de séries como John Adams, Justified, O Pacífico e The Americans) tem vários aspectos engenhosos, mas o mais bem bolado deles é usar sua locação conforme a lógica dos cercos medievais a fortalezas. A certa altura, rola até um trebuchet (não sabe o que é? Não se preocupe, quando você vir vai saber do que estou falando) – além de explosões de helicópteros, música triunfal e exaltação à honra e ao caráter. As interpretações são ótimas: além de Galdolfini, destacam-se Mark Ruffalo, bem novinho, como o cínico da prisão, Clifton Collins Jr. como o inocente Aguilar, Paul Calderon como o ex-sargento que reencontra a vocação, e Delroy Lindo como um general (Lindo é outro desses sujeitos que nasceram para papeis de gente que todo mundo obedece antes mesmo de ele dar qualquer ordem). Mas o melhor desempenho é sem dúvida o de Robert Redford; em um papel que seria um convite fácil à grandiosidade, ele prefere sempre a austeridade, os gestos mínimos, a inteligência e aquela centelha de humor que fica só sugerida.


A ÚLTIMA FORTALEZA
(The Last Castle)
Estados Unidos, 2001
Direção: Rod Lurie
Com Robert Redford, James Gandolfini, Mark Ruffalo, Clifton Collins Jr., Paul Calderon, Steve Burton, Brian Goodman, Delroy Lindo

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