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Bata Antes de Entrar

Se liga, Keanu!

Adoro Keanu Reeves porque em geral ele é naturalmente adorável, mas vamos combinar que, quando o papel exige que ele, digamos assim, atue, Keanu vai do sofrível ao desastre. Pois aquela cara de lâmpada apagada que é a expressão default dele é um trunfo para Bata Antes de Entrar.

No filme dirigido por Eli Roth, Keanu é Evan Webber, ótimo pai e marido e um provedor responsável da família: a mulher e os dois filhos pequenos vão para a praia, e ele fica trabalhando em casa. Antes tivesse ido aproveitar o feriado. Madrugada, tempestade lá fora, e duas garotas batem à porta da casa: então, a gente estava indo para uma festa, erramos o endereço, o táxi já foi embora, o celular morreu, será que dava para usar seu telefone?

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Se Evan não fosse um idiota, já estaria ouvindo todos os alarmes tocarem e vendo todas as bandeiras vermelhas se levantarem. Mas como quem interpreta (aham) Evan é Keanu, com aquele jeito de quem está sempre acabando de chegar, lá vai ele: claro, entrem. E, sim, podem pôr as roupas encharcadas na secadora, eu empresto um roupão – e ainda faço um chá, e fico aqui na sala, enquanto o motorista do Uber não chega, ouvindo as duas aeromoças (é como elas se apresentam) falar das suas aventuras sexuais.

Como exploitation é o negócio de Eli Roth (que, aliás, vem melhorando bastante como diretor desde os rudimentares O Albergue 1 e 2), não estrago nenhuma surpresa dizendo que Evan vai resistir bravamente, mas as duas garotas, interpretadas pelas ótimas Lorenza Izzo (que é casada com Roth) e Ana de Armas vão, por assim dizer, derrubar a resistência dele – e então Evan vai saber o que é o inferno na Terra.

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Como sempre, Roth arrepia: por exemplo, a certa altura Evan se vê no meio de um teatrinho de incesto que é de embrulhar o estômago. E, como sempre também, a intenção é abusar ao máximo para reforçar o moralismo mais severo: se não tivesse aberto a porta para o que evidentemente era uma tentação, raciocina o filme, Evan não estaria pagando assim os seus próprios pecados mais os pecados de gente que nem conhece. Mas, em Bata Antes de Entrar, há uma forte conexão hispânica que faz com que o filme vá mais longe ainda do que o habitual e dá a ele um sabor extra: o roteiro é escrito por Roth em parceria com o chileno Nicolás López e o uruguaio Guillermo Amoedo; Lorenza é chilena radicada nos Estados Unidos, e Ana de Armas é cubana radicada na Espanha. Juntas, elas parecem algo saído de um pesadelo que Pedro Almodóvar teve um dia. Isso, a propósito, é um elogio.


Trailer


BATA ANTES DE ENTRAR
(Knock Knock)
Estados Unidos/Chile, 2015
Direção: Eli Roth
Com Keanu Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas, Ignacia Allamand, Aaron Burns, Coleen Camp
Distribuição: Paris Filmes

4 comentários em “Bata Antes de Entrar”

  1. Virei seu fã, Isabela. Essa foi a crítica mais sensata que li sobre o filme. Não é a grande maravilha do cinema, mas também não é a merda do cocô do cavalo que os “grandes” “”””críticos”””” praguejam por aí.
    Obrigado por me mostrar que não sou o único que vê isso nesse longa.

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    1. Kadrex, sei que todo mundo gosta de nota, mas eu mesma não sou muito fã do sistema. A ideia aqui é mais dar argumentos sobre os filmes do que julgá-los. Até porque uma coisa que é ótima para mim pode não ser do seu agrado, e vice-versa 😀

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