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Missão: Impossível – Nação Secreta

Quanto mais, melhor

Estou há mais de uma semana devendo um post de Missão: Impossível – Nação Secreta – falha de quem está começando o blog e ainda não pegou o ritmo. Mas vamos lá: meu comentário, com atraso, sobre o episódio mais redondo, bem amarrado, bem acabado e eletrizante da franquia desde o episódio inaugural, de 1996, dirigido por Brian De Palma.

Tom Cruise é astro oficialmente há 32 anos, desde Negócio Arriscado; e a franquia Missão: Impossível vem sendo explorada no cinema há dezenove anos (quando nem se dizia ainda nem “série” nem “franquia”, mas sim “continuação”). Na escala de tempo do pop, é mais ou menos como se Cruise tivesse estourado junto com o Big Bang, e Brian De Palma tivesse dirigido o primeiro Missão: Impossível no tempo em que a Lua começou a orbitar a Terra. Sinais de esgotamento criativo e desaceleração física seriam aceitáveis e compreensíveis. E, no entanto, o impulso que M:I ganhou em Protocolo Fantasma, há quatro anos, não apenas se mantém neste quinto episódio da franquia, Nação Secreta: ele vem acrescido de um refinamento estilístico que deve parte (boa parte) de sua inspiração a Alfred Hitchcock, e outra parte a 007 – Operação Skyfall – ou, mais especificamente, ao trabalho de destilação e depuração a que o diretor Sam Mendes submeteu James Bond no filme de 2012.

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Como James Bond em Skyfall, o agente Ethan Hunt de Tom Cruise é declarado aqui uma sobra obsoleta e constrangedora de um tempo que passou, no qual agências de inteligência podiam operar sem supervisão. Isolado e perseguido, Ethan precisa agir à margem de qualquer recurso ou sistema para provar que sim, ainda é necessário à ordem mundial. Tanto Ethan quanto a ação são, assim reduzidos ao absolutamente essencial.

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Dito de outra forma, é Cruise, na verdade, quem está depurado aqui à sua essência: carisma, agilidade física, poder de galvanizar a atenção da plateia. Sua missão é provar que sim, ele ainda é necessário ao cinema de entretenimento, e que não, não está obsoleto. Em princípio, pode-se supor que essas duas questões não estariam em discussão: com 369 milhões de dólares arrecadados em No Limite do Amanhã, 286 milhões em Oblivion e 218 milhões em Jack Reacher – O Último Tiro, Cruise é um astro aparentemente ainda sólido. Não é essa, porém, a visão da indústria: o clube do bilhão não para de crescer (já inclui 22 filmes) – e ele é quase todo formado por franquias em que o peso dos astros é pequeno ou mesmo inexistente.

Em 1996, foi o poder do nome de Cruise que fundou a franquia Missão: Impossível. Hoje, as franquias é que constróem os astros (de Chris Evans e Chris Hemsworth a Johnny Depp e Robert Downey Jr.) – e que, na mesma medida, retiram deles seu poder. Cruise é, na verdade, um dos poucos que conseguem se manter acima do patamar dos 200 milhões em seus voos solo: quase nenhum de seus colegas consegue transferir a popularidade que alcançam nas franquias para projetos “sem marca”. O que Cruise consegue provar aqui, sob a direção de Christopher McQuarrie (uma surpresa, dado o seu trabalho não mais que mediano e frequentemente equivocado em Operação Valquíria e Jack Reacher), é que não é só necessário a Missão: Impossível: ele é o conceito e a razão de ser da série.


Trailer


Missão: Impossível – Nação Secreta
(Mission: Impossible – Rogue Nation)
Estados Unidos/Hong Kong/China, 2015
Direção: Christopher McQuarrie
Com Tom Cruise, Simon Pegg, Rebbeca Ferguson, Jeremy Renner, Alec Baldwin, Ving Rhames, Sean Harris, Tom Hollander
Distribuição: Paramount

3 comentários em “Missão: Impossível – Nação Secreta”

  1. No mais, concordo plenamente: o trabalho (ou melhor, a obra-prima)de Christopher McQuarrie dá a impressão que foi o próprio Alfred Hitchcock que ergueu-se da tumba somente para dirigir esse clássico — sobretudo na cena extraordinária da Ópera de Viena. Claro que o mérito maior é dos roteiristas Drew Pearce e Will Staples. Graças a eles, Missão: Impossível – Nação Secreta é uma sucessão de surpresas, mistério, suspense e reviravoltas do início ao fim.

    E todo o peso da responsabilidade cai sobre os ombros (e tudo o mais) da verdadeira estrela-prodígio do filme: Rebecca Ferguson é o vórtice dramático do enredo, uma atriz extraordinária num papel mítico como a espiã Ilsa Faust, a mais fatal de todas as femme fatales da História do Cinema. Da primeira á última cena, a verdadeira missão impossível é saber de que lado ela está. É um personagem tão ambíguo e misterioso que mesmo depois de salvar a vida do herói, a suspeita sobre ela só aumenta. Quando virá o golpe de traição? Quem manipula quem? É um jogo de espelhos que só os melhores filmes de VERDADEIRA espionagem conseguem construir.

    (Ou seja: é algo que nenhum filme da série 007 jamais poderia fazer. Que SURPRESA existe nos roteiros de James Bond? Nenhuma! Quem já viu um 007, já viu todos. Pelo menos antes da Era Craig. E ainda assim, a falta de transgressão nos enredos da franquia permanece.)

    Desta vez, Tom Cruise está de parabéns como um perfeito produtor executivo. Geralmente, ele só escolhe atrizes apagadas para contracenar. Agora sim, o time de super-talentos está completo. Rebecca Ferguson já entrou para a Eternidade, e é Ilsa Faust a verdadeira espiã que saiu do frio.

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