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O Amor Custa Caro

O melhor emprego

E também os melhores amigos, e o melhor humor: é bom ser George Clooney

Pesadelo dos cônjuges litigantes e autor de um modelo indevassável de acordo pré-nupcial, Miles Massey é o mais procurado e temido dos advogados especializados em divórcios de Los Angeles — onde isso há de contar alguma coisa. E, como seria de esperar de alguém com tal currículo, Miles é um sujeito sem ilusões. Pelo menos uma vez, ele gostaria de encontrar um adversário à sua altura, ou partir para a aniquilação total do oponente — ou ambas as coisas. Eis que surge Marylin Rexroth, uma profissional do golpe do baú. Marylin filmou o marido com a amante e está pronta para depená-lo. Só que Miles é o advogado do adúltero, e não de Marylin. Que sai do tribunal sem nada além do desejo de planejar mais um golpe, ou de dar o troco a Miles — ou ambas as coisas. Entenda-se que nem um nem outro querem vingança. Seu caso é de admiração e atração mútuas. “Imagino que você seja carnívora”, diz Miles a Marylin durante um jantar. “E como”, sussurra ela.

Está-se aqui num território de manejo difícil: o da comédia sobre a guerra dos sexos, uma arte que ficou meio perdida desde que seus grandes diretores, como Ernst Lubitsch, Preston Sturges e Howard Hawks, saíram de cena. Mas, se há dois cineastas informados sobre esse período — o dos anos 30 e 40 —, trata-se dos irmãos Joel e Ethan Coen, que assinam O Amor Custa Caro. As credenciais dos Coen para a tarefa vão além da erudição e da habilidade para recriar aquele clima de jogo de pôquer, no qual leva a melhor quem sabe blefar. Para “carregar” esse gênero, é preciso intérpretes que tenham fascínio de astro, mas timing e mordacidade de comediante. Em O Amor Custa Caro, as escolhas dos Coen são tão acertadas que, no final do filme, tem-se a impressão de que eram as únicas possíveis: Catherine Zeta-Jones, uma diva à antiga (no bom sentido), e George Clooney, que já colaborara com os Coen em E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? e cada vez mais se firma como o único astro na ativa que merece comparação com os melhores da era de ouro.

Em O Amor Custa Caro, Clooney mostra Miles Massey como personagem paradoxal: ele é um deprimido que tem pavor à introversão, um cínico que é capaz de se maravilhar e um devorador inapetente. Vê-lo em ação é uma experiência deliciosa, ainda mais porque Clooney personifica Miles sem histrionismo e sem nunca, jamais, ceder à tentação de roubar a cena dos colegas. São qualidades que dizem respeito não só a talento, mas também a autoconfiança.

Isabela Boscov
Publicado originalmente na revista VEJA no dia 15/10/2003
Republicado sob autorização de Abril Comunicações S.A
© Abril Comunicações S.A., 2003

O AMOR CUSTA CARO
(Intolerable Cruelty)
Estados Unidos, 2003
Direção: Joel e Ethan Coen
Com George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Geoffrey Rush, Billy Bob Thornton, Richard Jenkins, Cedric the Entertainer, Paul Adelstein

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