Guardiões da Galáxia Vol. 2

Continuação evolui para algo maior, melhor – e até comovente. Mesmo.

Peter Quill trocou a fita no seu walkman. Se a fita nº 1, que embalou o filme de 2014, era quase só rock, a seleção da fita nº 2 é toda mais balançada, íntima, quente – tem Fleetwood Mac, Sam Cooke, Electric Light Orchestra (para o Bebê Groot dançar, esquecido da vida, enquanto os Guardiões enfrentam uma fera interdimensional). Em um momento especialmente comovente, ainda, tem Cat Stevens.

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Pois é: Guardiões da Galáxia, que introduziu a anarquia no universo cinematográfico da Marvel, tem um momento especialmente comovente. Mais de um, até. É que nesse, ao som de Cat Stevens, tem gente que chora mesmo no cinema – mais ainda os homens. Sem perder nada do suingue, do clima de bagunça e da troça, Guardiões evolui, nesta continuação, para algo algo maior e melhor do que se esperava: não só uma brincadeira muito boa, mas um filme com um centro emocional em torno do qual a história gravita, e para o qual ela sempre volta depois de mais esta ou aquela aventura de Quill, Gamora, Drax, Rocky e Groot.

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Pais e filhos estão em primeiro plano neste Vol. 2. Quill (Chris Pratt), que após a morte de sua mãe foi abduzido da Terra pelo marginal Yondu (Michael Rooker) e criado por ele como um pivete espacial, tem sérios motivos para voltar a pensar na identidade misteriosa do seu pai. Também Yondu está sem seu pai figurativo – Stakar (Sylvester Stallone), o líder dos Saqueadores – desde que seus crimes foram descobertos e ele, banido. Gamora (Zoe Saldana) e sua irmã, Nebula (Karen Gillan), têm contas que não acabam mais a acertar, e todas podem ser debitadas na conta de Thanos, o pai doido delas. Rocky (Bradley Cooper), que é fruto da engenharia genética, nem mesmo sabe o que é uma figura paterna, mas nem por isso é menos intenso o seu desejo de proteger Bebê Groot (Vin Diesel). Drax (Dave Bautista) continua a lamentar a perda da mulher e dos filhos e, sem querer, fere a toda hora a fofésima Mantis (Pom Klementieff, o melhor dos novos acréscimos ao elenco). Mas Mantis, de tão doce, é incapaz de levar qualquer coisa a mal. Imersos nos seus próprios problemas, enfim, os Guardiões às vezes se esquecem que todo mundo os têm – a começar pelos amigos de todas as horas.

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Vol. 2 tem um ponto de partida simples: Rocky rouba um punhado de baterias ultravaliosas dos Soberanos, uma raça de gente linda, dourada e ridiculamente presunçosa. A sacerdote suprema dos Soberanos (Elizabeth Debicki, de O Agente da U.N.C.L.E., de novo ótima), que se acha muito, não perdoa a desfeita e se põe a perseguir os Guardiões, empurrando-os para planetas distantes e descobertas inesperadas. O roteiro é virtualmente impecável no raciocínio de causa e efeito, e é excelente também na maneira como defende sem parecer ingênuo nem forçar a barra as suas causas (contra o elitismo, o narcisismo e o pensamento subordinado, e a favor da independência de espírito e das afeições genuínas).

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O que Vol. 2 de fato prova, porém, é que o êxito do trabalho da Marvel no cinema é muito maior do que a soma dos méritos individuais de cada filme; ele vem da disposição do estúdio de confiar a diretores novos (e às vezes novatos) suas criações. A pegada firme de Joe e Anthony Russo com Capitão América, o molejo de Scott Derrickson em Doutor Estranho, o jeito brincalhão de Peyton Reed em Homem-Formiga, o ritmo hiperativo de Shane Black em Homem de Ferro 3, em breve o humor nonsense de Taika Waititi aplicado a Thor: Ragnarok e, em Guardiões, primeiro a irreverência e agora a insuspeita sensibilidade do diretor e roteirista James Gunn: como no próprio filme, a Marvel fez embarcar na mesma aventura um bando à primeira vista disparatado, mas cheio de afinidades – e de talentos complementares.


Trailer


GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
(Guardians of the Galaxy Vol. 2)
Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Michael Rooker, Pom Klementieff, Karen Gillan, Kurt Russell, Elizabeth Debicki, Sean Gunn, Chris Sullivan, Sylvester Stallone
Direção: James Gunn
Distribuição: Disney

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