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O Plano de Maggie

Doce, viva, um pouco atrapalhada: a adorável Greta Gerwig

Greta Gerwig me faz lembrar daquelas comediènnes deliciosas dos anos 30 e 40 como Irenne Dunne (Cupido É Moleque Teimoso), Jean Arthur (O Galante Mr. Deeds) e Claudette Colbert (Aconteceu Naquela Noite): as personagens dela são inteligentes, vivas e um pouco avoadas, cheias de ideias brilhantes que dão em redondos fracassos, e adoráveis mesmo quando estão trapaceando um pouquinho. Greta é a peça em torno da qual se constroem filmes como Frances Ha, Mistress America e este O Plano de Maggie – uma protagonista tão minuciosamente cortada sob medida para ela que se torna a razão de ser da história. Greta tem outro traço que eu acho enternecedor também: é bem alta e meio desengonçada. Se nos dois primeiros filmes a honra da alfaitaria cabia ao marido de atriz, o cineasta Noah Baumbach, agora a ideia da adorabilidade de Greta já começou a se espalhar. Quem dirige O Plano de Maggie é Rebecca Miller, filha do dramaturgo Arthur Miller, mulher de Daniel Day-Lewis e autora de um filme de 2002 do qual gosto muito, O Tempo de Cada Um.

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Maggie, a personagem de Greta, está no comecinho dos 30 anos e sente que quer ser mãe já. Do hipotético pai da criança, ela só deseja bons genes: seus romances nunca duram mais de seis meses, diz ela ao amigo e ex-romance interpretado por Bill Hader; por que complicar a história com um homem? O doador que Maggie tem em vista é outro amigo, Guy (Travis Fimmel, que, como sempre faz em Vikings, mal entra em cena e já se encosta num batente). Guy é um hipster tranquilão e bonitão, que está fazendo fortuna com um negócio de picles artesanais. Quando ele entra no apartamento de Maggie para fazer a doação trazendo um raminho de flores (nem demais, nem de menos) e pergunta delicadamente se ela não gostaria de dispensar o copinho e usar métodos mais diretos, que ele próprio consideraria muito agradáveis em vista de tanta formosura, eu gamei, e fiquei besta de ela recusar. Mas Maggie é assim – demora um pouco a entender as coisas que estão bem debaixo do seu nariz, porque está sempre aflita para antecipar o que pode acontecer mais à frente.

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Na mesma noite, enquanto Maggie está cuidando de aproveitar a doação de Guy, bate à sua porta John (Ethan Hawke), um professor de lógica isso-ou-aquilo que está dando aulas na mesma universidade em que ela trabalha, e com quem ela travou uma dessas amizades destinadas a virar rolo: John está escrevendo um livro, e adora as leituras críticas que Maggie faz dos capítulos que ele vai entregando a ela. E John se sente também menosprezado e sufocado por Georgette, sua mulher e mãe dos seus dois filhos, uma intelectual complicada e castradora que Julianne Moore interpreta de um jeito maravilhosamente sério-cômico. De forma que, pimba, John nem volta para casa nessa noite: lá vai ele se tornar pai pela terceira vez, e largar Georgette para ficar com Maggie.

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Contrariamente às previsões de Maggie, ela e John duram mais do que seis meses. Mas, reafirmando o que ela sabe de si mesma, em dois ou três anos Maggie já está por aqui dele. E aí entra o tal plano dela, de devolver John a Georgette. É exatamente o tipo de roteiro que, algumas décadas atrás, alguém confiaria a uma atriz como aquelas que citei no primeiro parágrafo – uma atriz com leveza suficiente para nunca perder o toque cômico nem a sinceridade. Rebecca Miller faz a sua parte, também. Assim como Leo McCarey, Frank Capra, Ernst Lubitsch e os outros craques que costumavam dirigir essas atrizes – ou como Woody Allen nos seus bons momentos–,  ela mantém as coisas sempre efervescentes, ligeiramente amalucadas e decididamente nova-iorquinas. Só para avisar quem não gosta disso: fala-se muito (muito mesmo) em O Plano de Maggie. Mas eu adorei cada diálogo.


Trailer


O PLANO DE MAGGIE
(Maggie’s Plan)
Estados Unidos, 2016
Direção: Rebecca Miller
Com Greta Gerwig, Ethan Hawke, Julianne Moore, Travis Fimmel, Bill Hader, Maya Rudolph, Wallace Shawn, Mina Sundwall
Distribuição: Sony Pictures

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