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Game of Thrones: A Batalha dos Bastardos

GoT passa de novo na prova do 9 com uma cena sem rival


ATENÇÃO: MUITOS SPOILERS


O amigo André Gordirro diz que o episódio de ontem de Game of Thrones tinha de ser exibido em sala de cinema, e eu concordo: cenas de batalha em séries de TV, mesmo quando muito boas, dificilmente chegam perto do que o cinema de produção classe A é capaz de proporcionar – porque são caríssimas, exigem muita expertise para coreografar e coordenar e, não menos importante, porque a tela reduzida da TV não é o ambiente ideal para tirar todo partido de grandes cenas de ação. Pois D.B. Weiss e David Benioff, os criadores e showrunners de GoT, conseguiram o impossível: estou aqui tentando lembrar de alguma cena de batalha melhor que a da Guerra dos Bastardos, e está difícil.

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Os episódios de número 9 de GoT quase sempre são o ponto alto de cada temporada, mas desta vez o negócio mudou mesmo de patamar. Só me veem à cabeça comparações com o trabalho de cineastas ilustríssimos: a cena final de Kagemusha e a longa batalha central de Ran, de Akira Kurosawa. Aqueles vinte minutos iniciais de O Resgate do Soldado Ryan. O fenomenal cerco a Helm’s Deep em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres. O ataque com helicópteros ao som de A Cavalgada das Valquírias em Apocalipse Now. A derrota dos franceses no Dia de São Crispin no Henrique V de Kenneth Branagh. A carga a Aqaba liderada por Peter O’Toole em Lawrence da Arábia. A assustadora chegada dos nazistas em Belarus no russo Vá e Veja. Tenho um fraco também pelos dois navios se abalroando em Mestre dos Mares e pela carnificina da Guerra Civil em Tempo de Glória. Mas estou deixando de fora deliberadamente Coração Valente, 300, O Último Samurai etc. etc. etc. além de todos os filmes de super-herói. Uma razão simples: a batalha não pode ser só bonita, ou sangrenta, ou épica. Tem de arrepiar, jogar você no sufoco, fazer você sentir a vertigem de quem está no meio do massacre. Na TV, eu só compararia a cena de ontem à tomada dos ninhos de metralhadoras no quinto episódio de Band of Brothers, e a atordoante entrada em Paris da terceira temporada de Vikings, que foi uma completa surpresa.

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O que, feitas todas as contas, torna a batalha do episódio 9 desta sexta temporada de GoT uma das mais bem filmadas de todos os tempos, seja na TV, seja no cinema. Na maneira como ela alterna a visão ampla do confronto com o pavor em close-up de quem está sendo retalhado ou pisoteado; na ilusão de que você está vendo algo rodado em Panavision, mas que está configurado de forma habilidosíssima para caber na tela da TV; na violência suja, intensa e curta (as batalhas medievais não duravam muito mais do que os 23 minutos da de ontem; a fadiga de um esforço tão grande vinha muito rápido) – em tudo, ela é absolutamente exemplar, e merece ombrear com as cenas icônicas do gênero. É tão espetacular que deixa no chinelo a Batalha de Blackwater e mesmo o magnífico episódio 9 da temporada anterior. Fez todo mundo esquecer o que, em circunstâncias normais, teria sido um momento memorável de GoT – o ataque dos dragões. E ganhou dois fechos perfeitos: a fúria com que Jon Snow aparou as flechas de Ramsay Bolton e o moeu a socos, e então a belíssima fala com que Sansa condena Ramsay ao pior dos seus infernos, o oblívio. Só Ramsay vai ficar no esquecimento: GoT acaba de virar um marco.

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20 comentários em “Game of Thrones: A Batalha dos Bastardos”

  1. Oi Isabela! Eu colocaria nessa lista a batalha inicial do filme Gladiador, do Ridley Scott. Até hoje me lembro da sua resenha na Veja sobre esse filme e do quanto ela me deixou ancioso pra vê-lo!!

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  2. Assim, pelo contrário… a batalha foi bonita, mas foi horrível do ponto de vista do roteiro e consultoria.

    Não dá pra comparar com a batalha de Brecourt Manour em band of brothers ou com o desembarque de Omaha, principalmente por que nos dois exemplos os combatentes lutam de forma realista, e houve consultoria adequada o que não foi o caso desse episódio. Faltou consultoria, faltou geografia na batalha e o desfecho do teletransporte das tropas do vale foi barato (Stannis salva os selvagens 2.0).

    Resumindo: Dava pra manter as cenas marcantes da batalha e fazer o Jon vencer com uma ajuda insignificante dos caras do Vale, mas ficou um deus ex machina no final. Era só modelar a batalha em cima de Crecy que dava e no final fazer a cena em que o Jon fala algo como “Se você não luta por eles, como eles podem lutar por você” pro Ramsey valer de algo quando os caras fossem derrotados.

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  3. A Serie é Genial , os personagens os atores , A HBO tem esta sensibilidade de revelar e mostrar novos talentos . a curiosidade maior agora é saber o que acontecerá com Aria , com a volta do Cão

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  4. Concordo plenamente com a análise do padrão técnico da batalha em questão, porém um episódio bem feito não apaga o fato de que esta série virou novelão, só tem blablabla e sentimentalismo barato digno de novelas mexicanas. Longas cenas de conversas inócuas. O padrão caiu vertiginosamente,
    A cena do episódio 6 desta temporada, em q o pai de um personagem briga com ele à mesa do jantar pq ele se casou com uma mulher de uma tribo de selvagens q ele não gosta, expulsando-o de casa, é digna do Velho Chico.
    Mesmo esta cena de batalha tem todos os cacuetes e clichês do gênero, algo que GOT evitava e pelo qual se destacou e ficou famosa. A morte e depois a ressureição de John Snow, mesmo num universo de fantasia, foi um recurso barato de clifhanger. A morte de algum amigo ou familiar antes da batalha clímax (clichezão), a chuva de flechas q atinge a todos menos o John (sem palavras), a chegada da cavalaria no último instante (Deus ex-machina), a briga final com o vilão com todos olhando (novela da globo faz o mesmo qdo a audiência está baixa), e a morte final do vilão de maneira trágica para a audiência se deliciar, regra de ouro dos roteiros pré-fabricados de hollywood.
    GOT esbanja técnica, mas virou uma série abaixo da média naquilo q se destacava, a história.

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    1. Esta não é uma página de fãs de GOT, e sim uma página de crítica a filmes e séries para expressão e troca de opiniões e argumentos. Se uma opinião é contrária a sua, contra-argumente, coloque os pontos que vc não concorda e explique porque, isso se chama argumentar. Agora, as pessoas sem capacidade de argumentação são aquelas que colocam uma frase grosseira tipo “não assista”. Isso não é argumentar, é discussão de baixo nível e não responderei mais a elas. Não sou eu quem devo deixar de assistir e sim vcs quem devem buscar sites de fãs, o q não é o caso deste.

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      1. Excelente argumentação, sir!

        Por favor, prossiga assistindo e escrevendo por aqui. Sua presença muito me honra.

        Afinal, se antes eu já estava decidido a JAMAIS assistir um episódio sequer dessa tão incensada “Idade Mediana Fake Fantasiosa”

        (mais uma, entre tantas saturando as telas do cinema e da TV)…

        …agora, lendo sua EXPLÊNDIA análise crítica, eu já tenho mais argumentos para fundamentar minha decisão.

        E vencer todos os debates contra os fãs.

        “O Trono de Ferro de Maior Novelão Mexicano”.

        rararara adorei”

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  5. Ainda guardo o lugar de batalha favorita de Game of Thrones para o confronto por Castle Black no 9º episódio da 4ª temporada. O plano sequência em 360 graus, mostrando onde se encontravam os personagens principais da batalha é uma das minhas cenas prediletas de todo o seriado. A guerra dos bastardos vem em segundo lugar.

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  6. Isabela, estou na Sérvia. Acordei às 5:30 da manhã, coisa raríssima de acontecer, assisti o episódio logo que despertei, fiquei extasiado. De tarde, fiquei ilhado num prédio que achei a porta aberta, isso porque caiu uma chuva de granizo, aí passei muito tempo parado pensando na série, e agora vou dormir depois de ler sua crítica. Realmente seu texto fechou com chave de ouro todas as ruminações mentais que fiz durante o dia. Se antes tinha dúvida se a sequência fora realmente um marco também considerando o cinema, agora já não tenho mais.

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  7. Corri do Facebook até o blog para ver se você falaria da batalha no Henrique V de Kenneth Branagh, que se encerra com a contagem dos mortos e ao som de Non Nobis! Acho fantástico também Apocalise Now.

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