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O Cidadão do Ano

Um faroeste escandinavo.

Não é por falta de atores no mercado que o dinamarquês Stellan Skarsgard faz até seis filmes por ano (isso fora o teatro). É porque Stellan faz qualquer coisa bem: cientista maluco (Thor), empresário/assassino (Millennium), personagem angustiado em filmes de Lars von Trier (Ondas do Destino, Melancolia, Ninfomaníaca), aristocrata esnobe de conto-de-fada (Cinderela), romântico incurável (Mamma Mia!) – e até um sujeito perfeitamente comum como o protagonista de O Cidadão do Ano, que está saindo em DVD e está também no NOW.

Andando para lá e para cá com seu limpa-neve, Nils Dickman tornou-se uma figura querida no seu canto longínquo da Noruega: é ele quem mantém as estradas abertas e evita que o punhado de moradores de seu vilarejo fique incomunicável durante os longos invernos. É uma vida simples: limpa-neve, casa, esposa, tudo de novo no dia seguinte. Até prêmio de cidadão exemplar Nils já ganhou.

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É uma surpresa para ele mesmo, portanto, a sua reação à morte de seu filho: a polícia arquiva o caso como overdose acidental de drogas, mas Nils tem certeza de que foi assassinato. E, já que ninguém vai fazer nada, ele então assume a responsabilidade de procurar os assassinos e puni-los, começando do menos para o mais graduado.

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A pilha de corpos que não para de aumentar, porém, faz duas máfias rivais de Oslo acreditarem que estão em guerra uma com a outra – e as coisas vão ficando mais e mais dramáticas à medida que o gângster vegano Ole (Pal Sverre Hagen), que usa terno sequinho e prende o cabelo em um man-bun, e o mafioso das antigas Papa (Bruno Ganz), que vive cercado de sujeitos mal-encarados, começam a dar sua contribuição generosa ao número de fatalidades.

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O diretor Hans Petter Moland não só tira ótimo partido do branco quase total de suas locações e do seu elenco impecável (e ele é enorme; repare também em Birgitte Hjort Sorensen, a viking badass de Game of Thrones, como a mulher de Ole), como usa com imensa originalidade as convenções do western. Principalmente do que se poderia chamar de western pós-moderno, dos faroestes-spaghetti de Sergio Leone aos filmes de Quentin Tarantino. Como os dois, Moland tem dom para o ritmo, olho de craque para as composições inusitadas e de grande efeito, um senso de humor altamente perverso e ótimo ouvido para os diálogos. Mas, no meio do redemoinho em que o filme se vai tornando, há sempre um centro quase impassível, porém cheio de luto e indignação – o cidadão exemplar Nils, temporariamente afastado de seu limpa-neve para fazer uma faxina em Oslo.


Trailer


O CIDADÃO DO ANO
(Kraftidioten)
Noruega/Suécia, 2014
Direção: Hans Petter Moland
Com Stellan Skarsgard, Pal Sverre Hagen, Bruno Ganz, Peter Andersson, Stig Henrik Hoff, Birgitte Hjort Sorensen, David Sakurai, Goran Navojec, Tobias Santelmann

Uma consideração sobre “O Cidadão do Ano”

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