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Pixels

O Pac-Man (e só ele) cresceu

Com Pixels, Chris Columbus fecha o círculo de sua carreira.

Em 1984, Chris Columbus despontou com estrondo: autor de Gremlins e Os Goonies, e diretor dos dois Esqueceram de Mim e de Uma Babá Quase Perfeita (além de, mais tarde, os dois primeiros Harry Potter), ele praticamente configurou o cinema-família com suas histórias de crianças que, sem supervisão dos adultos (e às vezes tendo de enfrentá-los), salvam a pátria, ou pelo menos a casa da família. Com Pixels (Estados Unidos, 2015), já em cartaz, Columbus fecha o círculo: quatro sujeitos terão de salvar o mundo usando habilidades que eram o máximo quando eles eram garotos, mas que hoje de nada lhes servem.

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Especificamente, Brenner (Adam Sandler), Eddie (Peter Dinklage), Ludlow (Josh Gad) e Cooper (Kevin James) – que virou um presidente ainda mais trapalhão que George W. Bush – têm de lembrar de como faziam miséria no fliperama, jogando Pac-Man, Donkey Kong e Galaga, para derrotar uma invasão alienígena. Que, por azar, foi deflagrada por eles próprios: o videoteipe de uma final disputada por Brenner e Eddie em 1982 foi enviado ao espaço e interpretado por extraterrestres como uma declaração de guerra, a ser travada nos moldes dos jogos clássicos.

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Seria Os Goonies – Trinta Anos Depois, não fosse o elenco. Embora Sandler esteja aqui mais contido, toda a sua carreira é uma celebração de características recessivas: infantilização, incompetência, fuga da realidade. Brenner se acreditava destinado a virar gênio da tecnologia, mas acabou como instalador de eletrônicos. Quando quer flertar com a atraente Violet (Michelle Monaghan), ele nem tenta impressioná-la: usa as simpatias do filho pequeno dela como ponte. Violet afinal ficará, sim, impressionada com a galhardia com que o grupo derrota um Pac-Man gigante que quase devora Nova Yok (Toru Iwatani, o inventor do jogo, tem um papel), ou põe os SEALs no chinelo durante um ataque de Centopeia. Mas Brenner e os colegas são capazes desses feitos não porque cresceram com as adversidades – é porque continuam refugiados na ilusão dos seus 13 anos. Pixels tem seus momentos de diversão, mas é triste pensar que aquela garotada tão cheia de iniciativa dos primeiros filmes de Columbus pudesse terminar assim.

Isabela Boscov
Publicado originalmente na revista VEJA no dia 22/07/2015
Republicado sob autorização de Abril Comunicações S.A
© Abril Comunicações S.A., 2015

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