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Invasão alienígena rende um thriller musculoso em “A Rebelião”
John Goodman – para variar – brilha no filme dirigido por Rupert Wyatt, de “Planeta dos Macacos: A Origem”
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Depois da estreia sensacional com “Corra!”, o diretor faz de novo, faz mais e faz ainda melhor
Continuar lendo “Nós”: o formidável (e arrepiante) jogo de espelhos de Jordan Peele“Vingança a Sangue Frio”: um faroeste contemporâneo cercado de neve
Apesar das declarações infelizes de Liam Neeson, o trabalho do diretor norueguês Hans Peter Moland merece muito ganhar uma chance
Continuar lendo “Vingança a Sangue Frio”: um faroeste contemporâneo cercado de neve3 clássicos pop que acabam de entrar na Netflix
Mel Gibson, Harrison Ford e Tom Hanks estrelam estes filmes do tipo “se não viu, aproveite para ver já”
Mad Max

São pouquíssimos os filmes de que se pode dizer que inventaram um gênero. Mas Mad Max, que o australiano George Miller lançou em 1979, é um deles: é o marco zero da aventura pós-apocalíptica, e ainda hoje concentra tanta força e potência que vê-lo é obrigatório – não como lição de casa, mas como um favor que o espectador faz a si mesmo. Miller achou um ator explosivo (o jovem e desconhecido Mel Gibson) e driblou seu orçamento minúsculo descartando qualquer cenário futurista: simplesmente aproveitou o vasto e inóspito deserto australiano como locação de um mundo dominado por gangues violentas que guerreiam pelo mais precioso de todos os bens – combustível (a década de 70 se passou toda numa luta furiosa com a crise do petróleo). Max, ex-policial cuja família foi assassinada por esses criminosos, está tão louco que já não dá a mínima para a própria vida; só quer saber de acabar com eles. É violentíssimo, sim. Mas é também existencial, de um pessimismo sobre os caminhos da civilização que ecoa ainda mais forte hoje do que então.
O Fugitivo

De uma série de TV dos anos 60, o diretor Andrew Davis tirou, trinta anos depois, um fenômeno pop instantâneo: uma história de caçada em que a ação (muito bem executada) é só a moldura. O centro verdadeiro e irresistível dela é o jogo de gato e rato protagonizado por dois inimigos que têm algo muito importante em comum – o intelecto, a inteligência, o instinto e a imaginação – e, por isso, não conseguem deixar de se admirar um ao outro. Alguém assassinou a esposa do Dr. Richard Kimble (Harrison Ford), e armou tudo para parecer que ele é o assassino. Kimble fugiu: para se salvar, precisa descobrir quem é o verdadeiro autor do crime. O U.S. Marshal Samuel Gerard (Tommy Lee Jones) não quer saber das alegações de inocência; seu trabalho é aprender o cirurgião fugitivo, e não há nada que ele leve mais a sério no mundo do que o trabalho. Perfeito no ritmo, enxuto e bem escrito, o filme ainda assim deve quase tudo à dupla central de atores, ambos no seu melhor. Tommy Lee Jones, em particular, está maravailhoso.
À Espera de um Milagre

Tom Hanks vinha numa toada impressionante, com Forrest Gump, Apollo 13 e O Resgate do Soldado Ryan. E, poucos anos antes, o diretor Frank Darabont cravara um sucesso indiscutível, adorado até hoje, com Um Sonho de Liberdade. Da reunião dos dois, em 1999, saiu mais uma história adaptada de Stephen King e passada numa prisão da era da Depressão, nos anos 30: o curioso caso de um prisioneiro do Corredor da Morte, um negro de porte impressionante (Michael Clarke Duncan), acusado de violentar e assassinar duas crianças, que revela certos poderes que confundem os guardas e afetam especialmente o carcereiro Paul Edgcomb (Hanks). Ninguém pode acusar Darabont de ser apressado: o filme tem 3 horas e 9 minutos. Mas elas passam como que num transe, graças ao dom do diretor para o clima, a imersão no mundo da prisão, a autenticidade da ambientação sulista, os personagens primorosamente delineados e os atores tão bem escolhidos (o elenco é enorme, e todo ele de primeira) – com destaque para o próprio Hanks e para Duncan, que morreu prematuramente, aos 54 anos, em 2012.
“Operação Fronteira”: acima da média, abaixo da expectativa
J.C. Chandor, o talentosíssimo diretor de “Margin Call”, é capaz de mais do que esta aventura com Ben Affleck e Oscar Isaac, que estreou na Netflix
Nunca perco a oportunidade de recomendar ao pessoal que gosta de filmes mais “cabeça”, digamos assim, os três excelentes primeiros trabalhos do nova-iorquino J.C. Chandor – O Ano Mais Violento (com Oscar Isaac e Jessica Chastain), Até o Fim (com Robert Redford e só ele) e principalmente a estreia de Chandor, o espetacular Margin Call (com Paul Bettany, Kevin Spacey, Jeremy Irons e mais uma penca de grandes atores). De forma que minhas expectativas andavam altíssimas para Operação Fronteira, que Chandor fez para a Netflix e que se passa em parte no Brasil – mais especificamente, na região conhecida como “Tres Fronteras”, na divisa brasileira com o Peru e a Colômbia. A boa notícia: o filme fica acima da média geral das produções originais para streaming (descontadas exceções honrosas como Roma e A Balada de Buster Scruggs). A notícia menos boa: apesar da produção de qualidade, da direção de Chandor e do roteiro de Marc Boal (oscarizado por Guerra ao Terror, e indicado por A Hora Mais Escura), falta alguma carne no osso desta aventura com Ben Affleck, Oscar Isaac, Pedro Pascal, Charlie Hunnam e Garrett Hedlund, que estreou nesta quarta-feira 13 de março na Netflix.

Os cinco rapazes acima são ex-soldados das Forças Especiais, agora aposentados e em geral não muito satisfeitos com a vida civil, os empregos ruins, os salários decepcionantes, a falta de adrenalina. Oscar Isaac é o único que continuou na ativa, executando operações que as Forças Armadas americanas organizam mas não podem assumir (leia-se, clandestinas). Como, por exemplo, “quebrar” o esconderijo na selva de um megatraficante que gosta de ter todo seu dinheiro – rios dele – em espécie, enfiado em algum lugar da sua propriedade fortemente protegida. Isaac ganha uma comissão por essas operações – uma porcentagem do que apreender. Mas anda achando que poderia fazer melhor negócio: dar um perdido na sua unidade e ficar com tudo. Ou pelo menos com um quinto de tudo, se os velhos amigos toparem um pouco de ação para animar a aposentadoria. Sem apoio militar, as coisas ficam bem mais difíceis, é claro, e a certa altura até o que vinha dando certo começa a dar tremendamente errado.

Entrevistei Chandor por telefone alguns dias atrás,e foi um prazer: ele é um grande cineasta, é muito inteligente e articulado, é simpático e tem muito o que dizer. Durante a conversa, ele comparou Operação Fronteiracom Margin Call, no sentido de que ambos se passam em meios marcadamente masculinos (o mercado financeiro e o exército), que prezam e premiam demonstrações de audácia e força e nos quais um profissional perde a forma e o corte muito rápido – é sair cinco minutos da roda-viva e já se ficou para trás. Chandor falou também sobre o tema maior desses dois filmes – a ganância, que habitualmente se descreve como uma motivação simples mas que ele argumenta ser (e eu concordo) uma das emoções humanas mais complicadas, em que, muito mais do que cobiça, entram o desejo de relevância e influência, as frustrações sublimadas, a distância entre o que se é e o que se desejaria ser. Chandor disse ainda que reparou que os brasileiros imediatamente pensam em outra região muito conturbada do país quando se fala em Tríplice Fronteira (esse é o título original do filme, Triple Frontier): a divisa com o Paraguai e a Argentina, onde tem gente da Al Qaeda vivendo no maior sossego e fazendo sabe-se lá o quê. Mas explicou que a intenção do título original é ser em parte uma metáfora das linhas que se cruzam e da desonra que surpreende os cinco amigos – a de usar a força sem o respaldo de uma bandeira. O único senão? A conversa acabou ficando mais interessante que o filme, onde essas ideias apenas são esboçadas, e que logo vira uma aventura e só – competente, mas com um quê de Rambo de luxo.