Todos os posts de Isabela Boscov

Lógica de “Bacurau” é tão desalentadora quanto a do extremo oposto

No longa, filmado com força e talento, para que um lado reafirme sua identidade é preciso destruir o outro — com violência

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“Yesterday” é um dos filmes mais saborosos a estrear nesta década

O longa não é só um tributo ao quarteto de Liverpool, mas ao poder da gentileza, da honestidade e do romantismo

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Em “Anna”, o diretor Luc Besson ensina como ser um virtuose da bobagem

Espirituoso, fluido, bem-feito e repleto de ação, filme põe uma top model russa entre a CIA e a KGB

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No seu streaming: jura que você nunca viu… “O Tigre e o Dragão”?

Como o diretor Ang Lee conquistou a plateia ocidental com um assombroso filme de artes marciais

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No clima de Tarantino e “Mindhunter”? Crimes verdadeiros no seu streaming

O filão oferece desde histórias aterradoras e personagens fascinantes ou inquietantes até casos bem-humorados

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“Mindhunter”: os criminosos na era do ego

Em sua segunda temporada, a excepcional série vai ao coração do fenômeno dos serial killers: o narcisismo, de um lado, e o culto à celebridade, de outro

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Jura que você nunca viu… “Janela Indiscreta”?

Talvez o melhor filme (a escolha é difícil) de Alfred Hitchcock, a história de um repórter preso a uma cadeira de rodas põe o espectador no lugar do diretor

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Em “Domando o Destino”, a poesia austera das vidas reais

Um caubói de rodeios que não pode voltar às arenas interpreta a si mesmo neste filme singular

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O assassinato de Sharon Tate – e a morte do sonho hippie

Entre as inúmeras reportagens e biografias já escritas sobre Charles Manson, uma leva o título O Homem que Arruinou os Anos 60. Não se trata de exagero: o assassinato de Sharon Tate e de mais quatro pessoas na noite de 9 de agosto de 1969 é o marco simbólico do fim do sonho hippie e do ideal da contracultura. As ondas de choque causadas pela agressão alucinada a uma mulher tão jovem, bonita e promissora — e tão grávida — como Sharon fizeram vir à tona a realidade grotesca da comunidade liderada por Manson. Embora o FBI já estivesse investigando os estranhos moradores do Rancho Spahn, em geral se acreditava ainda serem eles uma congregação de paz, amor e desapego, capaz de atrair gente como Dennis Wilson, o baterista dos venerados Beach Boys. Longe disso. Manson, aliás, mal aparece em Era Uma Vez em… Hollywood: é a forma pela qual Tarantino nega a ele a notoriedade e sobretudo o fascínio que, inexplicavelmente, continuou a exercer até sua morte, na prisão, em 2017, aos 83 anos, condenado por um total de nove homicídios.

Manson tornava seus seguidores dóceis e receptivos (a ele) por meio da distribuição diária de drogas. Como se vê em Era Uma Vez, fazia as mulheres catar comida no lixo — e então destinava a elas os restos do prato dos homens. Encorajava-as, também, a valer-se do sexo para qualquer finalidade. Por exemplo, como mostra Tarantino, para manter quieto o velho dono do rancho e para recrutar adeptos. As caronas eram o meio habitual de levar gente nova para a seita; Wilson foi recrutado ao dar carona a duas moças — e, por sua vez, deu carona a Charles “Tex” Watson (Austin Butler), que viraria o tenente do grupo. Foi Wilson também quem, inadvertidamente, deflagrou os eventos que desaguariam na chacina: apresentou Manson ao produtor musical Terry Melcher, que, entretanto, não quis oferecer ao guru um contrato fonográfico, tornando-se objeto do rancor dele. Melcher deixou sua casa, em 10050 Cielo Drive, logo depois de conhecer Manson — que, para azar da nova moradora Sharon Tate, nunca se convenceu de que ele não mais a ocupava.

Publicado em VEJA de 21 de agosto de 2019, edição nº 2648

Tarantino e “Era Uma Vez em… Hollywood”: a reinvenção da história

Em novo filme, o diretor não apenas corrige o passado, como em “Bastardos Inglórios”: ele o refaz para torná-lo belo como só na imaginação poderia ser

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